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Sonho americano se torna pesadelo na fronteira dos EUA

Publicado em 04/10/2021 - 12:19 Por Marco Antonio Rodrigues de Oliveira
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Créditos da imagem: John Moore/GettyImages

O sonho americano faz parte da identidade cultural dos Estados Unidos, permeando também como o resto do mundo enxerga o país e suas possibilidades de crescimento financeiro. Baseadas nas ideias de liberdade, ascensão social e sucesso, muitas pessoas de todos os lugares do planeta são atraídas para o país, incluindo brasileiras. Há cerca de duas semanas, o caso da técnica de enfermagem, Lenilda dos Santos, de 49 anos, brasileira que tentava entrar nos EUA ilegalmente e que morreu na travessia, chocou o Brasil e promoveu uma discussão essencial: será que vale a pena se arriscar tanto pelo american dream?

Muitos podem questionar esse cenário que levam pessoas que sonham com uma vida melhor a arriscarem a própria vida, assim como outros, reforçam e incentivam a busca pelo sonho americano. Junto com esse segundo time estão os “coiotes”, também conhecidos como polleros, pateros ou balseros, e que são pessoas que se especializaram em aliciar e guiar os que migram pela fronteira.

A atividade exercida pelos coiotes, que é crime, é extremamente lucrativa. De acordo com matéria da Super Interessante, em 2018 os valores cobrados por pessoa variavam de U$S 6 mil a US$ 20 mil. Dentro desse grupo existem aqueles que são locais e que operam de forma pouco estruturada, e aqueles que dispõe de maior organização e que dividem o trabalho entre os membros da equipe. No entanto, a diferença de valor e estruturação não garantem que a passagem para o país será segura e confortável fisicamente e psicologicamente. Há também relatos em que os imigrantes são obrigados a fazerem a travessia com drogas, além de serem vítimas de outros problemas relacionados ao tráfico de pessoas. Além disso, também é comum extorsão e cobrança de valores além dos iniciais durante a travessia. Quem não paga é ameaçado.

De acordo com informações da Polícia Federal, os locais de atuação das quadrilhas no país estão principalmente em Minas Gerais e Rondônia. O grupo é solícito no momento do aliciamento, incentivando e pressionando os interessados na travessia.

A técnica de enfermagem, Lenilda, saiu de Vale do Paraíso, em Rondônia, em 13 de agosto, com o objetivo de cruzar a fronteira do México aos Estados Unidos pelo deserto. Ela contou com a ajuda de um coiote e de amigos de infância, que a abandonaram no local com a promessa de que voltariam para ajudá-la a completar o trajeto, já que ela estava sem condições físicas. A casa de Lenilda ficou penhorada com o coiote, segundo seu irmão.

Outros casos semelhantes ao da técnica, enfatizam a dimensão do problema. Em julho, um grupo de 48 brasileiros, incluindo 17 crianças foi abandonado por coiotes enquanto tentava realizar a entrada ilegal no país. Eles foram encontrados no dia 27 daquele mês, pela patrulha da fronteira.

Quando não são encontrados, podem permanecer desaparecidos e sem notícias para a família que aguarda informações de outro lugar do mundo. É estimado por autoridades locais que cerca de 8.000 pessoas estejam desaparecidas por tentarem a travessia do México aos EUA. O número é considerado baixo por organizações da fronteira que estimam que o dado real pode ser até sete vezes maior.

Os riscos físicos e com os coiotes são eminentes, além disso, muitos se esquecem que o país americano implementa desde o 11 de setembro políticas mais restritas para imigração, o que leva os imigrantes a procurarem caminhos cada vez mais perigosos.

O governo Biden vem enfrentando nos últimos meses um recorde no fluxo migratório ilegal, ligado a saída de Donald Trump e a crença de maior abertura do país aos imigrantes. Desde janeiro, mais de 1,3 milhão de pessoas foram detidas na fronteira com o México.

De acordo com dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (US Customs and Border Protection), a entrada de brasileiros nos Estados Unidos aumentou 6,5 vezes em 2020. De outubro de 2020 a setembro de 2021, o total de imigrantes brasileiros deportados passou de 7.161 no período anterior para o total de 46.410.

Em setembro, mais de 30 mil imigrantes, em sua maioria vindos do Haiti e que encontraram abrigo debaixo de uma ponte no Texas, foram mandados de volta para o país de origem. A decisão foi amplamente criticada.

Após as críticas, nos últimos dias o governo de Joe Biden anunciou novas regras que limitam a deportação e que serão aplicadas para todos que chegaram ao país antes do dia 1º de novembro de 2020. O governo afirmou que só deportará aqueles que representarem uma ameaça aos Estados Unidos.

As cenas dos próximos capítulos ainda são incertas, no entanto, uma coisa é certa: o sonho americano vive e resiste, mesmo após décadas da primeira vez que o termo foi apresentado por um historiador (1931). Resta então, apenas comparar os riscos da ilegalidade com a segurança e a comodidade de se viver legalmente em outro país, mesmo que o processo leve mais tempo. O que não deixa dúvidas de que se deve sempre escolher a segunda opção.

Tags: Sonho americano, EUA, Estados Unidos, México, fronteira, ilegal, coiotes
 Marco Antonio Rodrigues de Oliveira Marco Antonio Rodrigues de Oliveira
Segurança E Cidadania

O Coronel Marco Antonio Rodrigues de Oliveira, natural de Juiz de Fora MG, ingressou na Academia de Polícia Militar em 1991 como cadete e encerrou sua carreira em 2021 como comandante do 2º BPM. É filho de Policial Militar, o qual o inspirou para entrar na carreira. Nesses 30 anos dedicados a PMMG, exerceu funções em seis cidades diferentes: Belo Horizonte, Juiz De Fora, Ubá, Matias Barbosa, Ribeirão das Neves e Betim. Trabalhou em diversas funções administrativas e operacionais, além de ter recebido diversas honrarias pelos diversos serviços prestados, dentre elas a Medalha Alferes Tiradentes, maior honraria da PMMG. O amor pela área de segurança pública sempre fará parte de sua vida, assim, com o propósito de ajudar a quem precisa, Cel Marco vê uma oportunidade de transportar um pouco do seu universo para cá, trazendo informações relevantes que relacionam com a área para seus leitores.

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