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A Libertação Do Autojulgamento Com Mindfulness

Publicado em 26/02/2021 - 17:51 Por Letícia Lagoa
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Créditos da imagem: acervo do site Lagoa da Terra

Na última entrevista que fiz com Luciene Moreira, certificada em Mindfulness pela USP, para o artigo A Mente pede Calma , conversamos sobre os vários benefícios, indicações e as diferentes formas de se praticar o Mindfulness.  Sabe quando a gente começa a discutir um assunto e de repente a mente puxa para outro mais interessante ainda? Pois é, foi assim o nosso papo, bem produtivo. Inclusive, na hora de escrever, procuro “domar” os meus pensamentos para não sair atropelando aquilo que foi inicialmente proposto. E na nossa conversa, prometi que voltaríamos a falar sobre esta técnica de meditação, porém, com foco num outro problema que perturba muito a mente humana: o autojulgamento.

Relembrando o conceito, Mindfulness é um termo em inglês que significa atenção plena. Refere-se à importância de viver plenamente cada momento presente de forma consciente e, principalmente, sem qualquer autojulgamento.  Segundo a instrutora, somos muito críticos com nós mesmos e isso se reflete pra fora. “A gente tem um narrador interno que está o tempo todo nos julgando e nos consumindo sem estarmos consciente. Tem um livro que eu recomendo muito do Dan Harris, 10% Mais Feliz, que trata dessa narrativa interna que estamos constantemente alimentando, que é, na maioria das vezes, negativa ao nosso respeito, a autocrítica que nos coloca para baixo.”

O livro, no qual Luciene menciona, fala sobre a experiência do jornalista da TV norte-americana ABC que teve um ataque de pânico ao vivo diante de milhões de telespectadores. O autor cita a obsessão pelo trabalho, a autocrítica exagerada e a extrema competitividade no meio jornalístico. Ele relata que a fonte de seus problemas era justamente aquilo que considerava seu maior aliado: a voz incessante dentro de sua cabeça, de sempre querer mais, fazer mais, se esforçar mais. Dan, após a crise, conta como a meditação mudou a sua percepção de mundo ao silenciar a mente.

“A técnica ajuda a melhorar a nossa voz, trazendo mais consciência e percebendo essa narrativa autodestrutiva. Quando fazemos uma prática de Mindfulness consistente de uma semana ou 10 dias,  você já consegue perceber melhoras no seu comportamento. Percebe que conseguiu gerenciar, que não se abalou com algo que alguém disse a seu respeito. Muda a perspectiva. O grande desafio é trazer essa prática para o dia a dia. Mas tem estudos que comprovam que se você tentar por 21 dias já terá um resultado bem expressivo. Tem que colocar como compromisso e com seriedade”, esclarece Luciene.


A TÉCNICA NA PSICOLOGIA


O autojulgamento é uma resposta para as nossas várias experiências humanas. Tem a ver com a nossa história, conteúdos aprendidos (ou apreendidos), bagagem emocional, construção da autoimagem através de críticas na infância e alto nível de exigência, além da preocupação com a própria imagem em relação aos outros e ao mundo, segundo a psicóloga Maria Cristina C. Saraiva, especialista e membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática.  “Se você prestar atenção, está mais ligado ao retorno do exterior do que do próprio interior”, ressalta.

Muitos profissionais da saúde têm usado a técnica do Mindfulness com seus pacientes para ajudar no controle das emoções e pensamentos que afetam o funcionamento do corpo e vice e versa. “Uso como técnica facilitadora para a pessoa acessar sem medo o que foi negado ou esquecido por defesa, assim como novas formas de agir a partir de seus próprios conceitos. Quando direcionado a viagens mentais, que toquem nessas questões ‘históricas’, há um benefício no sentido do contato possível com os tais conteúdos inconscientes. Em casos mais graves, não indico fazer sozinho. É importante ter o acompanhamento de um terapeuta para que esses conteúdos sejam analisados e trabalhados na sessão”, finaliza.           

Se no autojulgamento nós lidamos com o “nosso eu”, com as nossas fraquezas, escolhas, defeitos, erros e acertos, então por que não podemos começar a ser gentis com nós mesmos? Levar uma vida com mais leveza sem tantas cobranças internas?

Segundo o meu colega de profissão, autor do livro, 10 minutinhos de prática por dia já é um bom começo. E é melhor tentar do que surtar (ao vivo).  

 

Tags: ansiedade, mindfulness, meditação, autojulgamento, terapia, pandemia, coronavírus, respiração, mente, saúde mental, depressão, estresse, bem estar
 Letícia Lagoa Letícia Lagoa
Reviva PlenaMente

Jornalista há mais de 20 anos, sendo a maior parte da carreira dedicada às matérias esportivas nacionais e internacionais. Foi editora-chefe e apresentadora do Globo Esporte da TV Integração, repórter da Globo Minas e, na Globo São Paulo, integrou o quadro de editores do SPORTV. Ao enfrentar uma depressão profunda, anos atrás, transformou o momento difícil em aprendizado e passou a se dedicar, exclusivamente, aos estudos e temas que promovem a saúde mental e melhor qualidade de vida. É pós-graduada em Saúde Integrativa e Bem-estar pelo Hospital Albert Einstein/SP, instrutora de Mindfulness (UNIFESP), mestre em Reiki e iogue pelo IEPY/Instituto Kaivalyadhama (Índia).

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