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Por que a gasolina está tão cara? O que fazer?

Publicado em 25/08/2021 - 07:37 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: https://pixabay.com/pt/photos/reabastecer-posto-de-gasolina-2157211/

                 Prezados internautas, como a gasolina está cara! Este combustível já acumula uma alta, em média, de 19,5% nos preços de janeiro a julho deste ano e equivale a reajuste de 417% em relação ao IPCA do período, que é a inflação oficial utilizada pelo governo. Por que a gasolina está tão cara e o que podemos fazer para economizar?

                O petróleo é uma commodity, cujo preço é cotado no mercado internacional, em dólar. Desde o governo do Presidente Michel Temer, a Petrobrás passou a repassar para o mercado interno, de modo mais rápido, os reajustes dos preços dos derivados do petróleo. Preços (internos) esses que sofrem influência, tanto dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, quanto da variação da taxa de câmbio (R$/US$). Então, quando o preço do petróleo sobre e/ou a taxa de câmbio brasileira (R$/US$) deprecia, isto é, a cotação do dólar sobre em relação ao Real, os preços da gasolina (e dos demais derivados do petróleo) no mercado nacional ficam mais caros. Devemos lembrar também que um aumento na demanda doméstica pelos combustíveis também pode pressionar os preços para cima.

                Quando fazemos uma análise de dados obtidos do Banco Central, vemos que a cotação do dólar comercial era de R$ 5,268 em 04 de janeiro e caiu para R$ 5,210 em 30 de julho, uma queda de 1,1% nesse período. Já o preço do barril de petróleo (obtidos do site do UOL economia) passou de US$ 51,05 para US$ 76,33 nesse mesmo período, o que representa um aumento de 49,52%. Sabemos que além desses componentes, ainda existe a carga tributária, os custos de transporte e o lucro dos empresários do setor na formação do preço final dos combustíveis. De acordo com a ANP (Associação Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço médio da gasolina comum passou de R$ 4,6526 em janeiro para R$ 5,270 em julho, o que representa um aumento médio de 23,09% (pouco superior aos 19,5% mencionados no primeiro parágrafo desse artigo).         

Em 4 Estados (Rio de Janeiro, Tocantins, Rio Grande do Sul e Acre), o preço da gasolina já ultrapassou a casa dos R$ 7,00 nos postos de combustíveis, agora nesse mês de agosto. Infelizmente não sabemos qual o teto para o aumento de preços dos combustíveis até o final deste ano. Como estudamos na literatura econômica, a gasolina é um bem que apresenta uma baixa elasticidade-preço da demanda, ou seja, aumentos nos preços provocam quedas menos que proporcionais na demanda, uma vez que é considerada um bem essencial e praticamente sem substitutos (pois o etanol também está caro). Isso significa que as despesas com esse item estão cada vez mais “pesadas” no bolso dos consumidores, que pouco ou nada podem fazer.

Apesar dessa pouca possibilidade de economia nas despesas com gasolina (e combustíveis, em geral), o que podemos fazer é pesquisar e também aproveitar os benefícios de alguns aplicativos para smartphones (para tentarmos economizar alguns centavos por litro), diminuir e até mesmo evitar deslocamentos desnecessários com o nosso automóvel, sobretudo em trajetos muito curtos, em que possamos ir a pé, pois ainda teremos o benefício, para a nossa saúde, que é de fazermos uma caminhada. Mas nem todos têm essas possibilidades e o próprio aumento dos preços dos combustíveis ainda acaba se disseminando para outros itens da economia, em função da nossa dependência do transporte rodoviário.

Torcemos para o controle da pandemia no Brasil (que virá com a intensificação da vacinação e da diminuição do número de mortes) e para que as expectativas se tornem mais otimistas com relação ao futuro, de modo a influenciar a queda da cotação do dólar, de modo a contribuir para redução do preço da gasolina. Bem sabemos que ainda teremos que torcer para que os cenários políticos interno e externo não se agravem e não tenhamos mais aumentos expressivos nos preços do petróleo no mercado internacional e que novas variantes da Covid-19 sejam controladas. Ufa!!!!!!!! Abraços e até o próximo artigo.

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Tags: Gasolina, Commodity, Petróleo, Câmbio
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da PUC-Minas e da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

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