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Petróleo caro e dólar alto: combustíveis nas alturas em 2021

Publicado em 17/11/2021 - 00:22 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: Fotógrafo Michael Lopes e adaptado por Fernando Agra com figurinhas dos stories do Instagram

        Infelizmente vivemos um ano sem precedentes na história recente da economia brasileira, no que diz respeito aos sucessivos aumentos de preços dos derivados do petróleo: gasolina, diesel, gás de cozinha etc. O que de fato tem contribuído para todo esse cenário caótico?

          Na semana passada assisti a várias reportagens sobre o assunto supracitado e uma me chamou atenção pela didática. Então vamos lá: no início da pandemia (primeiro semestre de 2020) da Covid-19, com o fechamento de boa parte da economia mundial, houve uma redução na demanda por petróleo e o preço do barril (tipo Brent) chegou a custar US$ 20,00. Com isso, os países produtores de petróleo resolveram diminuir a produção (oferta).

Ao longo de 2021, com o avanço da vacinação ao redor do mundo, a economia mundial foi se recuperando e a demanda por petróleo (e derivados) aumentou. Só que oferta não reagiu tão rápido quanto a demanda e isso ocorreu na economia como um todo. Além desse fato, os próprios países produtores de petróleo resolveram que não aumentariam tanto o volume de produção de modo a manter os preços altos e assim, lucrarem mais. Em suma, esse descompasso entre oferta e demanda tem contribuído para o aumento do preço no mercado internacional. O preço do barril tipo Brent passou de US$ 51,09 em 04 de janeiro de 2021 para US$ 82,25 na data em que escrevo este artigo (16 de novembro de 2021). Isso corresponde a um aumento de aproximadamente 61% ao longo deste ano de 2021.

E para piorar ainda a situação, a taxa de câmbio nominal brasileira (R$/US$) também subiu nesse mesmo período. O dólar comercial passou de R$ 5,27 para R$ 5,50, o que corresponde a um aumento 4,36%. Como os preços dos derivados do petróleo, aqui no Brasil, estão alinhados com os preços internacionais, os aumentos dos preços do barril e do dólar em relação ao Real têm sido os dois principais vetores responsáveis pelos preços pagos pelo consumidor final. O preço médio da gasolina subiu de R$ 4,60 para R$ 6,56 por litro, o que representa um aumento de pouco mais de 42% neste ano (vale destacar que aqui em Juiz de Fora, a gasolina já está em R$ 7,49 e no Rio Grande do Sul, o preço médio chega a R$ 7,88). Nas refinarias o aumento da gasolina é ainda maior: 74% no ano.

O preço do óleo diesel passou de R$ 3,76 para R$ 6,36 por litro, ao longo desse ano, o que equivale uma alta de pouco mais de 69%. Uma vez que, em média, esse insumo representa cerca de 40% do custo do transporte dos caminhões, o frete somente tem ficado mais caro. Todos esses sucessivos aumentos têm se espalhado pela economia de uma maneira geral. Isso endossa ainda mais a necessidade de investimentos em infraestrutura nos modais ferroviários e pluviais (que são mais baratos do que o transporte terrestre).  É importante lembrar também que ainda temos uma carga tributária muito alta no Brasil que ainda contribui para preços mais alto na economia como um todo.

De um modo geral, as perspectivas não são nada otimistas para os próximos meses, caso os países produtores de petróleo não ampliem a produção e resolvam lucrar cada vez mais com os chamados Petrodólares (termo cunhado nos anos 70 durante os choques do petróleo, 1973 e 1979, que correspondia aos dólares oriundos das exportações do petróleo naquela época). E com relação à taxa de câmbio, o Banco Central até tem tentado, através das sucessivas altas da Selic, contribuir para uma apreciação cambial (queda do dólar em relação ao Real), mas a incerteza política é tão grande que tem mantido o dólar alto. Lembro que, em março, a Selic era de 2% e hoje está em 7,75% ao ano e o Banco Central já avisou que vai fechar o ano em 9,25%, no mínimo, com o mercado estimando que ela pode chegar a 12% no final de 2022. Lembro que durante o impeachment de Dilma, a Selic era de 14,25% ao ano.

Confesso que ando bastante preocupado com o desenrolar da economia ao longo de 2022, sobretudo por conta das incertezas políticas de um ano eleitoral agravadas ainda mais por toda a instabilidade no presente. Espero estar errado e que daqui a um ano eu releia este artigo e possa relatar queda dos preços dos combustíveis e demais derivados do petróleo, bem como uma inflação sobre controle e uma economia em alta e que a Covid seja coisa do passado.

Tags: Petróleo, dólar, gasolina, inflação, diesel
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da PUC-Minas e da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

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