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O fantasma da inflação continua a nos assombrar

Publicado em 11/08/2021 - 00:09 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: https://stock.adobe.com/pt/images/id/14577842?as_campaign=Freepik&as_content=api&as_audience=srp&tduid=796a467e5131e5316624523244e9d7c5&as_channel=affiliate&as_campclass=redirect&as_source=arvato

Caros leitores (internautas), a cada semana, as projeções para a inflação de 2021 têm sido revisadas para cima. Isso é muito preocupante, sobretudo para as classes mais pobres. Até quando a inflação vai continuar subindo?

Nessa terça-feira (10 de agosto), o IBGE divulgou o IPCA do mês de julho, que foi de 0,96% (maior percentual para o referido mês desde 2002) e com isso, a inflação oficial acumula um percentual de 8,99% nos últimos 12 meses (essa é a maior taxa anual desde maio de 2016, quando o acumulado em 12 meses ficou em 9,32%). De acordo com o IBGE, os alimentos e a bandeira vermelha patamar 2 da energia elétrica foram os principais responsáveis por esse índice elevado observado em julho deste ano.

Inflação corresponde a aumentos contínuos e generalizados dos níveis de preços na economia. Então, quando observamos que a inflação está em alta significa que os preços, em média, estão subindo num ritmo cada vez maior. E ainda vale lembrar que os índices são médias, ou seja, alguns preços sobem mais (como é o caso dos combustíveis, da energia elétrica e de alguns alimentos essenciais, como a carne de boi, o óleo de soja, o arroz; que subiram bem mais do que 8,99% nos últimos 12 meses e agora até o café com leite está mais caro), outros menos e alguns até têm redução.

O Banco Central também surpreendeu ao elevar a Selic, na mais recente reunião do Copom (no início de agosto), de 4,25% para 5,25% ao ano. O aumento esperado inicialmente era de 0,75 ponto percentual, mas devido ao agravamento das expectativas com relação à inflação, o aumento foi de 1 ponto percentual. E já se projeta que na próxima reunião do Copom (que ocorre a cada 40 dias) haja um novo aumento de 1 ponto percentual, o que elevaria a Selic para 6,25% ao ano (é importante lembrar que em março deste ano, a Selic ainda estava no menor patamar histórico nominal, que era de 2% ao ano).

Confesso que essa alta de juros não surtirá tantos efeitos para diminuir a inflação, pois não temos uma demanda agregada aquecida, que seria desestimulada com essa sucessão de alta nos juros. E juros altos não contribuirão para reduzir o preço da energia elétrica, agravada pela crise hídrica. Então, por que o Banco Centra insiste na “Âncora Monetária” (tentativa de controlar a inflação com juros altos)?  O objetivo é atrair capitais especulativos estrangeiros, ou seja, dólares que viriam para o Brasil em busca de uma melhor remuneração nas aplicações financeiras atreladas aos títulos da dívida pública. Com mais dólares na economia, o mesmo reduziria sua cotação em relação ao Real e com isso, os preços dos produtos relacionados com o mercado internacional podem sofrer quedas (como é o caso dos combustíveis e de alguns alimentos). Esse instrumento é conhecido, na literatura econômica, como “Âncora Cambial” (auxílio que a taxa de câmbio apreciada propicia a economia para controlar a inflação).

 Só que é importante lembrar que Economia não é uma ciência exata e sim, uma ciência social, que lida com o comportamento humano. Caso as incertezas com relação ao próprio comportamento da inflação, às questões políticas internas e a conjuntura internacional se deteriorem, essas altas da Selic surtirão pouco efeito tanto na cotação do Dólar, quanto no IPCA. Abraços e até o próximo artigo.

Tags: Inflação, Selic, Âncora Monetária, Âncora Cambial, IPCA, Copom, Banco Central
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da PUC-Minas e da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

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