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O Brasil encontra-se em Estagflação?

Publicado em 08/09/2021 - 00:16 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: https://pixabay.com/pt/illustrations/crise-financeira-bolsa-de-valores-544944/

             Caros leitores, será que o nosso país está num processo de Estagflação? Essa é uma palavra cunhada nos anos 70 do século passado que significa que o país está num binômio de estagnação econômica com inflação alta.

                Até o início da década de 70 o mundo somente dava atenção para a inflação de demanda, ou seja, aquela causada por um excesso na demanda agregada. Isso ocorre quando a oferta agregada (que é o somatório de toda a produção de bens e serviços destinada ao mercado) é insuficiente para atender a demanda agregada (que é a demanda de toda a sociedade, subdividida em consumo das famílias, investimentos das empresas, gastos do governo e exportações menos importações). Em geral, situações como essa ocorrem quando a economia está aquecida e a produção não consegue suprir a demanda, o que ocasiona aumentos nos preços: inflação. Isso mostra que, de um modo geral, períodos de preços que sobem se seguem a períodos de maior nível de emprego na economia. Assim como o contrário também era observado: em períodos de estagnação econômica, com PIB em queda e desemprego em alta, o nível de preços tendia a desacelerar e até mesmo cair: deflação. Então, teríamos situações em que mesmo que houvesse inflação, teríamos empregos. Por outro lado,  se o desemprego acometesse a economia, pelo menos teríamos o nível de preços controlado. Esse era o trade-off (dilema) da época: o que era melhor? Termos inflação alta com emprego ou termos um controle da inflação com baixo nível de emprego?

                Com os dois Choques do Petróleo ocorridos em 1973 e 1979, o mundo passou a conhecer o pior dos mundos, a chamada Estagflação. Naqueles períodos, os preços do petróleo quadruplicaram e triplicaram, respectivamente. Como esse insumo era (e ainda é) muito importante para a economia mundial, a disparada nos preços do mesmo desaqueceu a economia mundial (o Brasil somente sentiu esse desaquecimento a partir do segundo choque, em 1979) e ainda contribui para um processo inflacionário. O mundo conheceu, de fato, a inflação de custos, que é causada por aumentos nos preços de matérias-primas e insumos essenciais ao funcionamento da economia. O Brasil mergulhou num processo de recessão econômica com inflação alta, além de muita instabilidade econômica já no início dos anos 80, que perdurou até meados de 1994, quando o Plano Real foi implementado.

                Atualmente não temos uma situação de hiperinflação como a observada nos anos 80, mas o IPCA já está na casa dos 9% ano e a cada semana, os especialistas estimam que esse índice vai fechar acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 5,25% para este ano de 2021. Vale lembrar que o óleo de soja aumentou 78% e a carne de boi, 34% nos últimos 12 meses, além da disparada observada nos preços dos combustíveis. E para piorar, veio a crise hídrica que jogou para cima o preço da energia elétrica, que já começou a prejudicar a recuperação econômica. De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro manteve-se estagnado e recuou 0,1% no segundo trimestre desse ano e o desemprego atingiu 14,1% da população economicamente ativa nesse mesmo período.

                Infelizmente, não são sobre essas notícias que gosto de escrever, mas a atual situação do nosso País é preocupante. Chego a acreditar que estamos, de fato, numa situação de Estagflação e com toda a instabilidade dessas novas variantes da COVID e das questões de cunho político, temo que a nossa recuperação econômica demore acontecer.

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Tags: Estagnação econômica, inflação, estagflação, desemprego.
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da PUC-Minas e da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

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