Faça login na sua conta!

Ainda não tem uma conta? Cadastre-se agora mesmo!

Mega Colunistas

Colunistas

Inflação desacelera, mas ainda continua muito alta.

Publicado em 14/12/2021 - 00:14 Por Fernando Agra
destaque
Créditos da imagem: https://www.oanhanguera.com.br/noticias/5794-o-dragao-acordou-inflacao-acelera-para-116-em-setembro

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês de novembro veio abaixo do de outubro, bem como menor do que as expectativas de mercado. Contudo, ainda continua na casa dos dois dígitos ao ano e penalizando, principalmente, as classes mais pobres.

No mês passado, o IPCA foi de 0,95% (abaixo da expectativa de mercado, que era de 1,17%) e menor do que o observado em outubro, que foi 1,25%. No ano, esse índice de preços já acumula alta de 9,26% e nos últimos 12 meses a alta é de 10,74% (mais alta para o acumulado de 12 meses observados nos últimos 18 anos). Quando analisamos a meta do Banco Central, que é de 3,75% ao ano e de 5,25% para o teto, o IPCA acumulado de dezembro de 2020 até novembro de 2021, é quase três vezes maior que o centro da meta e pouco mais do que o dobro do teto.

Essa desaceleração em novembro pode ser fruto das sucessivas altas da SELIC, implementadas desde março desse ano (quando a taxa havia alcançado o menor patamar nominal na história, que foi de 2% ao ano)  e alcançou 9,25% recentemente, com perspectiva de chegar a 10,75% na próxima reunião do COPOM, em fevereiro de 2022. Como não temos uma inflação de demanda, uma vez que o Brasil se encontra em recessão técnica (com o PIB dos dois últimos trimestres consecutivos com quedas de 0,4 e 0,1, respectivamente e desemprego na casa de 12,6%, com 13,5 milhões de brasileiros desempregados ) e sim uma inflação de custos (causada basicamente por aumento nos preços dos derivados do petróleo, da energia elétrica e das commodities agrícolas), essa desaceleração do IPCA se deve muito mais em função de tentar reverter o mecanismo inercial (retroalimentação automática dos preços) do que pela própria âncora monetária.

O Banco Central almeja desacelerar a alta de preços ao mostrar para o mercado e para os agentes econômicos que não será leniente (pelo menos tem sido assim nas últimas reuniões do COPOM), bem como tenta também frear a desvalorização cambial. Do ponto de vista do mecanismo de retroalimentação automática dos preços, já percebemos que alguns contratos já embutem reajustes na casa de 10% para o início de 2022, como por exemplo, as mensalidades escolares, os planos de saúde, as tarifas de transportes, os aluguéis e o próprio salário mínimo. O Banco Central quer evitar que esse mecanismo inercial se espalhe por mais setores. Já do ponto de vista do câmbio, a ideia é que com a Selic mais alta, haja uma atração maior de especuladores internacionais em busca de títulos da dívida pública federal e assim, com mais dólares no Brasil, a cotação da moeda estrangeira deverá cair. Entretanto, o dólar ainda continua alto em relação ao Real devido às incertezas dos ambientes político e fiscal (e tais devem piorar em 2022, devido às eleições, que prometem verdadeiros embates).

Como dito no início do artigo, os mais pobres são os que mais sofrem com a alta da inflação, uma vez que os mesmos possuem uma maior propensão a consumir da renda disponível, ou seja, gastam maior parte da renda com o consumo, sobretudo com gêneros de primeira necessidade. Só em novembro deste ano, os transportes subiram 3,35% devido basicamente ao aumento dos preços dos combustíveis; habitação subiu 1,03% por conta principalmente das altas dos preços da energia elétrica, do gás e de água e esgoto; e para piorar, artigos de residência também subiram 1,03%. Apesar do item relacionado à alimentação no domicílio ter caído 0,04%, por causa de quedas nos preços do leite longa vida, arroz e carnes, houve altas expressivas nos preços do café, açúcar, frango em pedaços e queijo. Com isso, os brasileiros estão precisando pesquisar e substituir os alimentos que estão mais caros pelos que não têm subido tanto de preço e até caído, como as frutas, legumes e verduras da época.

Em suma, esse artigo analisou indicadores conjunturais. O que o Brasil precisa, de fato, são reformas estruturais para ofertar bens e serviços em quantidade suficiente para atender às demandas crescentes, quando a economia voltar a crescer e que essa visão seja de longo prazo. E para isso, precisamos de mais investimentos em tecnologia e educação para ampliar a produtividade do trabalhador brasileiro; investimentos em modais ferroviários e fluviais, que são mais baratos do que o modal rodoviário; investimentos em fontes alternativas de energia elétrica ambientalmente sustentáveis e que diminuam a dependência das hidroelétricas e taxas de juros reais de longo prazo baixas para estimular investimentos produtivos. Do contrário, a economia brasileira continuará em “voos de galinha”.

Tags: Inflação, IPCA, inercial, juros, Selic, desemprego, desvalorização cambial, reformas estruturais
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da PUC-Minas e da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

Leia também: Por que o preço das carnes subiu tanto?