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Caro leitor, vamos conhecer o Boletim Focus, do Banco Central do Brasil (parte 1)!

Publicado em 13/07/2021 - 17:08 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: www.bcb.gov.br

                 O Boletim Focus, do Banco Central do Brasil (BCB), é um relatório semanal, sempre divulgado às segundas-feiras, a partir da 8:30 h, no próprio site do BCB (www.bcb.gov.br), em que são apresentadas as expectativas das principais variáveis macroeconômicas (inflação, PIB, taxa de câmbio, resultados das contas públicas etc.) estimadas por um conjunto de instituições especializadas.

                Não precisamos ser especialistas para compreendermos os dados apresentados no Boletim Focus e as análises são importantes para a otimização da tomada das nossas decisões. Para endossar o que eu disse, vamos conferir alguns dados divulgados no relatório mais recente, que foi publicado nessa segunda-feira (12 de julho). Ressalto que você sempre vai encontrar o Boletim Focus mais recente no seguinte link: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus .

                Com relação às projeções para o IPCA, índice oficial de inflação utilizado pelo governo, este deve fechar o ano de 2021 em 6,11%, contra uma estimativa apresentada na semana passada de 6,07% e no mês passado, de 5,82%, sendo todas essas projeções acima da meta estabelecida pelo BCB, que é de 3,75% ao ano, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A projeção ultrapassa inclusive o teto da meta, que é de 5,25% ao ano. Isso tem feito o próprio BCB aumentar a Selic desde março desse ano, que estava em 2% e atualmente é de 4,25% ao ano com perspectivas de chegar a 6,5% no final do ano. Geralmente, esse instrumento conhecido como “Âncora Monetária” é utilizado para combater uma inflação de demanda (não funciona quando para desestimular a demanda por alimentos).

Como atualmente os principais produtos que têm contribuído para a alta de preços são alimentos e combustíveis, influenciados pelos preços no mercado internacional, essas altas da Selic visam contribuir para que a taxa de câmbio aprecie, ou seja, que o Dólar diminua a sua cotação em relação ao Real e assim contribuir para que os preços não subam tanto ou até mesmo diminuam. Claro que existem outros fatores que têm contribuído para o aumento da inflação e que não são influenciados pelo câmbio e nem pelos juros, que são as questões de entressafra, diminuição da área plantada, crise hídrica etc. E essas altas na Selic já estão influenciando positivamente as expectativas para o fechamento de um Dólar a R$ 5,05 no final do ano, contra R$ 5,18 de projeções realizadas há um mês.

Já com relação ao crescimento do PIB, as perspectivas têm sido mais otimistas a cada semana: 5,26% de crescimento para este ano na perspectiva dessa semana, contra 5,18% há uma semana e 4,85% há um mês. O aumento da vacinação, a diminuição do número de infectados e de mortos tem contribuído para esse otimismo. Entretanto, é importante ressaltar que a pandemia ainda continua e que as medidas de uso de máscaras de boa qualidade, higienização e distanciamento físico devem continuar no nosso cotidiano, de acordo com as autoridades da área de saúde

É importante ressaltar que esse crescimento do PIB não é homogêneo, ou seja, há setores que estão se recuperando mais rápido dos efeitos da pandemia da Covid-19, enquanto outros ainda vão levar um tempo maior. Bem como é importante lembrar que o país ainda possui uma elevada taxa de desemprego, estimada pelo IBGE em 14,7%, com 14,8 milhões de desempregados e 6 milhões de desalentados (pessoas que desistiram de procurar trabalho e não são contabilizadas como desempregados). Esses dados podem ser consultados no seguinte link: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php .

Lembro que Economia é uma Ciência Social e lida com o comportamento humano. Assim, essas perspectivas supracitadas são influenciadas também por fatores políticos e até subjetivos. E no caso do crescimento econômico (PIB), é importante ressaltar que além de crescer, o País precisa se desenvolver (melhorar a distribuição de renda e diminuir as desigualdades sociais, isto é, melhorar as condições de vida da população, como um todo). De modo que este artigo não ficasse tão extenso, voltarei a apresentar outras variáveis do Boletim Focus (IGP-M, Balança Comercial, Resultados das Contas Públicas etc.) na próxima quinzena. Abraços!

Tags: Boletim Focus, IPCA, variáveis macroeconômicas, PIB, Selic, taxa de câmbio, taxa de desemprego, desalentados, crescimento econômico, desenvolvimento econômico
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG).

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