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A Minha Paixão Pelas Letras

Publicado em 30/03/2021 - 08:23 Por Daniela Pesconi-Arthur - Artigo editado em 06/04/2021 - 04:52
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Créditos da imagem: Foto de arquivo pessoal

Bom dia, gente! Deus ‘bençoe!


E hoje é terça-feira outra vez e cá estou eu pra mais um pouco de devaneios mineiros na terra da rainha - gente, e não é que esse nome da coluna é bacana mesmo? 


O texto de hoje mistura um pouco de história, memórias, sentimentos, vocação, paixão e inspiração. Hoje trago um pouco da minha história, e é através dela que vou desenrolando o contar de como vim parar onde estou hoje. (P.S. esse texto ficou bem grandinho, então aguardem a “Parte 2”. Peraí, Dani, mas P.S. no meio do texto? Uai, o texto é meu e eu boto ele onde eu quiser… Hoje to cheia de poesia e nostalgia, então segura aí que as normas cultas vão ser “desocultadas” por aqui. Adoro inventar palavras!


Bom, entao então vai lá buscar seu cafezim (eu já tô aqui com o meu) que lá vem história... com direito a poema e tudo! E essa história começa lá nos meus cinco anos de idade, na Escola Elefantinho. O ano é 1981. Essa história começa nas aulas da tia Sonia, do tio Mário e da tia Jussara - acho que hoje em dia as crianças  chamam os professores de profe, né? Na minha época era tia e tio. Pois bem, aos cinco anos eu aprendi a ler e escrever. E já aos seis anos, quando comecei a antiga 1a série no Instituto Teresa Valsé, eu já gostava das palavras; de escrever, de ler, quietinha, de ler em voz alta.  



(Minha primeira "sessao de autografos", no Instituto Teresa Valse, em 1984 - acho)


Sempre amei o português e  me lembro de todas as tias do primário: tia Silvia, tia Vera, tia Cidônia, tia Elba. Ah, como amava meus livros de classe! Não esqueço nunca de um poema da Cecília Meireles que tinha no meu livro da 1a série e que, com medo de encompridar esse texto, já vou pedindo logo desculpa, mas quero deixar ele aqui: 


A BAILARINA - Cecília Meireles


Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.


Não conhece nem mi nem fá

Mas inclina o corpo para cá e para lá


Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.


Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.


Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.


Essa menina era eu. Não sabia quase nada, mas já sonhava com tanta coisa. Como a vida dá voltas, né? Nunca fiz balé. Eu era mais do vôlei! Mas pra quem nao sabia, eu já conhecia bem mais que  dó e ré! Eu tocava piano, e o banco era tão alto, que eu me sentava na ponta do pé! (na verdade, eu me sentava normal pra tocar, mas eu fiquei inspirada e não queria perder a rima!) 


Já mais crescidinha, na temível 5a série, tive uma das grandes professoras de português que me tirou do sério - e da minha zona de conforto! - no meu hábito de leitura! Querida Júlia! Essa já não era mais tia. A coisa tinha ficado séria e a gramática da língua portuguesa me chicoteava. As orações eram subordinadas de todos os tipos, e eu, algumas vezes insubordinada, preciso confessar, me submeti a regras e mais regras (argh! que nervo me deu quando vieram as mudanças ortográficas!! O que é que eu ia fazer com todas as regras de acentuação que eu tinha aprendido??? Poxa vida…) Analisei sintaticamente centenas de orações,  li livros maravilhosos, tocantes e deliciosos, daqueles que a gente se esquece da vida quando está lendo, sabe, dos quais me lembro com carinho até hoje. Inclusive, já aproveitando que estou aqui na coluna dos Devaneios Mineiros do Portal MegaMinhas, eu me sinto no DEVER de recomendar esse livro: Prosa de Mineiro, de Olavo Romano. (recomendado e “cobrado em prova” pela Julia!)


(Aliás, vou fazer um parênteses bem sério aqui agora, pra quem estiver me lendo: pai, irmãs, amigos, ex-professores(as), algum leitor bondoso que queira me dar a honra de enviar meu primeiro “recebido” do outro lado do oceano. Eu perdi o meu Prosa de Mineiro. #ficaadica )

 

 

Na 5a série também tive a minha primeira professora de inglês: a Maria Luiza, aquela com quem eu aprendi a amar uma língua tão diferente da minha! Ah se eu pudesse imaginar onde ela me levaria!!! Mas isso é prosa pra outro dia. Só te adianto que...



Não conhecia nem he nem she,

Mas agora já sabe conjugar o verb to be


Não sabia nem one nem two,

Mas agora já sabe dizer I love you



Ah, o colegial… Olguinha, do Anglo! Imagina, dava até carona pra gente! Pessoa maravilhosa, pequenininha só no tamanho mesmo, porque no coração… ah, lá dentro cabia era um milhão! Daí veio o preparatório pro tão temido vestibular. Através da Carmem e do Domingão conheci o mistério e a profundidade de Clarice Lispector e também a preguiça de Macunaíma; me revoltei com Primo Basílio e Bentinho e Capitu, e decidi que “quando crescesse” queria ter um pouco de Rita Baiana em mim. E o amor pelas letras, pelas palavras e o que podem ser feitas, criadas com e através delas, me intrigam cada vez mais. E as palavras simplesmente se derramam.


Mas vem comigo, 15 anos para o futuro (a graduação em Letras fica pra isturdia)… De Minas, pra Gales, pra Napoli, na Itália. Muitos e muitos livros lidos, de vários gêneros, pois sou um tanto quanto eclética, e depois de vários devaneios escondidos em diários, surge a ideia praquele que seria o meu primeiro romance: Loveandpizza.it . O Loveandpizza.it nasceu de uma vingancinha, acreditam? Foi um desabafo de algo que eu gostaria que eu tivesse o controle de fazer acontecer no momento pra “vingar” uma pessoa querida. Com um quê de fada-madrinha (vixe, e agora, tem hífen ou não tem! Maledetta reforma ortográfica!), peguei um caderno usado, salpiquei um pouco de bibidi bobidi bu, misturei com os ingredientes da melhor pizza do mundo: molho de tomate, mozzarella e basilico, joguei minha heroína numa cidade encantadora e botei logo um vulcão adormecido como testemunha e voilà! E ainda que minha heroína podia escolher como carruagem um iate ou uma Vespa! 



Mas é claro que não vou te contar o que ela escolheu! Mas… pra não te deixar a ver navios (ou iates, ou Vespas, ou carruagem que vira abóbora) vou te convidar pra assistir um bate-papo que tive no Instagram do @diariodeumaexpatriada_ . Vou falar um pouquinho sobre a minha experiência em escrever o Loveandpizza.it


Vixe, gente! Falei demais. Tanto que minha boca até secou e meu café até esfriou! (to só na rima hoje, perceberam?)



Beijão e inté! 

Dani


P.S. Ah, esqueci! Se quiser continuar o papo, já sabe onde me encontrar: AQUI ou AQUI



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Tags: devaneios, mineira na terra da Rainha, escrever, memorias,
 Daniela Pesconi-Arthur Daniela Pesconi-Arthur
Devaneios Mineiros Na Terra Da Rainha

Daniela Pesconi-Arthur é mineira de Uberlândia e formada em Letras - Inglês pela UFU, com mestrado em Literatura Inglesa e Escrita Criativa pela Cardiff Metropolitan University. Apaixonada por educação e pela língua, por mais de 20 anos, foi professora de inglês no Brasil, na Itália e no Reino Unido. Enquanto membro da Lapidus International, criou a série de workshops online e presenciais “Write Yourself” (“Escreva-se”) e em 2016 publicou o seu primeiro livro Loveandpizza.it. Atualmente cura o seu site ‘A Casa na Praia’, onde não só fala da sua vida de expatriada no País de Gales (UK), como dá dicas sobre escrita, criação de blogs, além de orientações e mentorias de negócios para brasileiras expatriadas que querem se tornar empreendedoras. Daniela está finalizando um curso de Hipnoterapia Transformacional Rápida (RTT), com a qual pretende ajudar ainda mais pessoas a transformarem suas vidas.

Leia também: Loveandpizza.it - Um Romance Em Napoli (Apresentação E Parte 1)