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Deixa Eu Te Contar: Reflexões Poético-Artísticas Em Tempos De Pandemia

Publicado em 20/11/2020 - 18:31 Por Jeremias Brasileiro - Artigo editado em 20/11/2020 - 18:36
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Créditos da imagem: Divulgação: PRLL - Paralela Plataforma de Arte.

Lembrar para continuar não se esquecendo, e fazer das memórias uma arte em movimento, em construção: faz parte de uma trilogia artística que pensa os personagens, a cidade, o lugar, isso por meio de narrativas em audiovisual. Transitar pelo passado e trazer com os olhos fechados uma imagem que ficou fixada nas lembranças é algo contagiante. Dançar as recordações também é de uma natureza subliminar. 

“DEIXA EU TE CONTAR” traz essas possibilidades de viajar na contemporaneidade e trazer para o presente silenciado, devido a Pandemia: A riqueza cultural de uma cidade cuja arte deixou de ser percebida, vivida e sentida presencialmente. Em certos momentos os silêncios das ruas parecem cenas fantasmagóricas e o olhar do artista, recolhido, vivencia essas distâncias ao dançar suas lembranças nos gestos, nos sons, nas palavras. 

O quarto e o quintal são janelas para o retorno aos tempos de antes, uma introspecção de olhos fechados que se abrem para histórias ressurgidas das memórias. Intermediado por uma sincronia de vivências marcadas na interioridade de suas residências, portanto é um desnovelar de sensações retornadas em ambientes virtuais. DEIXA EU TE CONTAR é assim: uma narratividade artística que dialoga com a vida que mesmo às escondidas em decorrência da pandemia demonstra que as emoções continuam pulsantes e possíveis de serem socializadas: Mundo afora. 

Vejamos em sequência o que vem a ser o DEIXA EU TE CONTAR a partir de um release dos produtores dessa Série Documental. Naturalmente que o autor desta coluna fica lisonjeado em estar como um dos personagens da referida produção com perspectivas cinematográficas bem interessantes: 

DEIXA EU TE CONTAR é uma série documental com três episódios interessada em pensar a questão da memória nas artes. Com participação de Alexandre Roiz, Fernanda Bevilaqua e Jeremias Brasileiro, cada episódio traz um artista movendo memórias de performances de diferentes autorias que marcaram suas vidas e a vida cultural da cidade de Uberlândia-MG. Criada e filmada inteiramente durante o período da pandemia. A Série está em fase de finalização e tem previsão de estreia para o ano de 2021. 

Com duração média de 15 minutos, cada episódio da Série traz "depoimentos dançados” direto da casa dos artistas participantes conectados a imagens de ruas, teatros e espaços culturais onde as obras citadas aconteceram e hoje se encontram vazios, seja pelo imperativo do isolamento social ou por terem sido desativados com o tempo. Arquitetura, cidade, coreografia e audiovisual se entrelaçam para criar uma cartografia afetiva das “artes da presença”: a primeira a sair de cena e a última a retomar as atividades em contexto de pandemia.


A Série se baseia na coreografia “Biblioteca de Dança” criada pelos artistas Neto Machado e Jorge Alencar (Salvador-BA), apresentada na Alemanha, Sérvia, Espanha e em diversas cidades do Brasil. Em um momento em que apresentações presenciais de trabalhos cênicos não são possíveis, relembrar e reativar obras é um jeito de torná-las vivas. O documentário é um convite – e uma “deixa" – para mover as memórias de sujeitos, de uma cidade, de uma cultura. 

É um convite introspectivo permeado de possibilidades cênicas invisibilizadas por questão da pandemia e que ao mesmo tempo concretiza um cenário de experiências capazes de problematizar e ao mesmo tempo superar um imaginário de que arte não existiria fora do seu lugar quase já naturalizado: precisa de público presente para que a arte se faça existente. 

Evidente que o calor, o olhar, a cumplicidade em uma apresentação artística interativa é de outra dimensão. Inimaginável, porém seria pensar que esse distanciamento seria de uma longa duração e que impactaria de modo imediato as relações de proximidades entre a população e em especial o “mundo das artes” com todas as suas diversidades existenciais. Diante disso, salutar dizer QUE DEIXA EU TE CONTAR chegou para preencher esse vácuo. 

Pra saber mais:

Episódios da Série Documental terão exibição única no dia 22 de novembro às 19h pelo  Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCrJtOsKSn5Yib7FzF641h0g/?guided_help_flow=5&app=desktop

Realização: PRLL - Paralela Plataforma de Arte.

Coprodução: Dimenti Produções Culturais, Ekobe Filmes, Produtora NÓIS. Obra audiovisual criada a partir da coreografia "Biblioteca de Dança” de Neto Machado e Jorge Alencar. A criação dessa obra audiovisual é financiada pela Paralela Plataforma de Arte, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC), da Secretaria de Cultura de Uberlândia e conta com o apoio da Fundação de Rádio e Televisão Educativa de Uberlândia – RTU.

Tags: Deixa Eu Te Contar
 Jeremias Brasileiro Jeremias Brasileiro
Crônicas e Ensaios das Gerais

Doutor em História Social pela Universidade federal de Uberlândia. É Comandante Geral da Festa da Congada da cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, desde o ano de 2005 e presidente da Irmandade do Reinado do Rosário de Rio Paranaíba, Alto Paranaíba, Minas Gerais, desde o ano de 2011. Desenvolve pesquisas sobre cultura afro-brasileira e sua diversidade nas Congadas de Minas Gerais, associando-as com o contexto educacional, em uma perspectiva epistemológica congadeira, de ancestralidade africana. Um intelectual afro-brasileiro reconhecido na obra de Eduardo de Oliveira: Quem é quem na negritude Brasileira (Ministério da Justiça, 1998), que lista biografias de 500 personalidades negras no Brasil; e na obra de Nei Lopes: Dicionário Literário afro-brasileiro (Rio de Janeiro: Editora Pallas, 2011). Detentor de um dos maiores acervos digitais sobre as Congadas de Minas Gerais, constituído desde a década de 1980, historiador com vasta experiência e produção cientifica sobre ritualidades, simbologias, coexistências culturais e religiosas em oposição ao conceito de sincretismo. Escritor, poeta, possui textos de dramaturgia, crônicas, literatura afro-brasileira.

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