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“Maternar” Para Me Encontrar

Publicado em 05/11/2020 - 23:04 Por Letícia Duarte
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Créditos da imagem: Arquivo pessoal
“Eu me encontrei na maternidade”. Ouço muitas mães dizerem isso. Na contramão, digo: eu me perdi completamente nela!
Do dia pra noite a vida virou de ponta cabeça! Eu, ingenuamente, achava que a maior emoção seria a descoberta da gestação. Mas nem fazia ideia do universo louco que eu estava prestes a adentrar.
A começar pelo parto: realmente me preparei! Fiz todo o acompanhamento com as doulas e achei que já sabia tudo sobre o parir. Ledo engano. A gente só sabe quando pare! A gente só entende a dor da contenção quando ela acontece! A gente só sabe o que é a tal “partolândia” quando tá nela! A gente só entende a emoção do nascimento quando pegamos nosso bebê nos braços. Não adianta ninguém tentar explicar.

Depois do parto, a tão esperada amamentação. Se me preparei pra esse momento!? Ô! E como! Tinha encontro de gestante, curso sobre aleitamento?! Tava eu lá, caderninho na mão, mil expectativas na cabeça. A preparação durante a gravidez fica toda na teoria, e tudo ali faz sentido. Mas e na prática?
Achei que ia tirar de letra quando veio a maior decepção da vida: meu leite quase não saía. Uma dor absurda que jamais pensei vivenciar. Peito completamente ferido, e uma mastite severa que me levou pro quarto de hospital: 3 dias internada.
Precisei tomar remédio pra secar meu leite e todo o sonho da amamentação virou um pesadelo na minha vida. Uma dor de alma, um sentimento de impotência e angústia. E quando achei que já tinha passado pelo pior: coitadinha de mim...
Era só o começo!

Sem conseguir amamentar entramos com a fórmula. Helena mamou super bem até 2 meses de vida. Foi quando ela começou a rejeitar o leite. Troca fórmula, troca mamadeira... tenta copinho, seringa, colher… tudo! Nada fazia Helena aceitar o único alimento para a fase em que estava. Uma mãe consegue imaginar a dor de ver seu filho não conseguir se alimentar? Todas as dores físicas pelas quais passei até ali culminaram em uma dor na alma, sem nome nem fundo.
E aí veio a segunda internação: dessa vez da minha bebê. Que sofrimento ver minha filha se alimentando por sonda.
Não saem da minha cabeça a imagem, os cuidados, os testes e tudo pelo que ela, tão pequena, precisou passar. 4 dias no hospital. Vários exames: nada detectado. Nessa fase Helena só mamava dormindo, o que é super arriscado! Mas não tinha escolha, ou era assim ou não era! 
Quando Helena completou 4 meses veio a segunda internação na tentativa de, mais uma vez, descobrir o motivo da recusa do leite: foram 12 dias de hospital, em plena pandemia. Imaginem todas as inseguranças e incertezas da situação mundial e eu vendo minha filha hospitalizada. Sem poder receber visitas. Sem poder sequer sair no corredor do hospital. Era o auge da proliferação da COVID. 
Bom… nesses dias internada reviraram minha filha do avesso: uma infinidade de testes e exames e nada encontrado. O tempo, muito amor, olheiras e cabelo em pé fizeram parte dos esforços para sair desse limbo e batalhar pela saúde da minha filha.
Hoje Helena está com 9 meses e se alimenta normalmente: aceita (às vezes não) o leite e já come papinha! Mas te falar: ôôô luuuta!
Bom… e depois de contar tudo isso pra vocês eu digo que não há nada mais lindo e gratificante que a maternidade. Parece estranho? Se você também tem filhos, acredito que concorda comigo. Todas as expectativas frustradas, todas as noites em claro, todo o cansaço, o medo indizível, a mudança da essência da própria vida são nada diante da mudança de perspectiva e das próprias prioridades: diante do milagre maior que é a maternidade.
Eu só espero um dia me encontrar nela!
Tags: Maternidade real, amamentação, recusa alimentar bebê
 Letícia Duarte Letícia Duarte
Mãe, (res)pira!

Já viveu uma experiência louca, desafiadora, estressante e ao mesmo tempo linda e recompensadora?! Eu vivo uma todos os dias e a chamo de MATERNIDADE. Meu nome é Letícia Duarte. Sou jornalista, influenciadora digital e mãe da Helena, de 9 meses. Uma das coisas de que mais gosto de fazer é me conectar com outras mães, e quando eu paro pra pensar no que eu quero acrescentar pra elas - que tanto precisam de companheiras de jornada - eu respiro fundo: o assunto é longo (e mãe que é mãe dá umas dez suspiradas dessas por dia, que é pra não pirar). Nesta coluna você vai encontrar relatos, vivências e reflexões de uma mãe de primeira viagem cheia de medos, inseguranças e cansaço - mas, acima de tudo, de amor!