Faça login na sua conta!

Ainda não tem uma conta? Cadastre-se agora mesmo!

Mega Colunistas

Colunistas

“É Justo Que Muito Custe O Que Muito Vale!”

Publicado em 03/12/2020 - 20:39 Por Letícia Duarte
destaque
Créditos da imagem: Arquivo pessoal

Quando duas mães se juntam, o assunto flui na velocidade da luz: vamos de “rotina de sono” à “colocar ou não o bebê na creche” em poucos minutos! É sempre assim comigo e com a Jay, minha companheira de trabalho! Ô pessoa boa pra falar sobre maternidade viu! 

Um dia desses tava eu chorando minhas pitangas sobre os desafios alimentares que enfrento com Helena. Foi aí que ela me disse a seguinte frase “É justo que muito custe o que muito vale!”. Aquela frase surtiu um efeito imediato em mim.

Bom, agora vou abrir esse espaço para que ela conte mais sobre essa frase pra vcs! 

É contigo Jay!

Era um fim de sexta-feira, e a gente estava sozinha conversando sobre como achamos que as nossas filhas nunca iam aprender a falar ou a resolver equações. Uma das coisas que acontece quando a gente tem um filho é a separação completa e irrevogável daquilo que antes a gente chamava de vida social, horas de sono recomendadas e assuntos interessantes em rodas de conversa - mas essa última só em relação a gente sem filho, porque mães conversando vão de maquiagem a textura de cocô em segundos no maior interesse do mundo.


Não me lembro por que (e isso diz muito também a respeito da memória das mães) começamos a falar especificamente sobre força e resiliência. Não que seja indispensável pensar no motivo exato que nos levou a entrar nesse assunto, porque ter um ser humano minúsculo e totalmente dependente da gente para sobreviver já faz com que se fale disso quase que automaticamente. E tanto a Letícia quanto eu passamos por coisas que realmente achamos que não íamos superar. Houve momentos em que olhamos para aquela mini pessoinha, que se parece com a gente e tudo, e simplesmente não soubemos o que fazer. Houve momentos em que o próximo segundo parecia que nem ia acontecer. No entanto, estávamos ali, falando sobre eles, bem vivas. Mães.


“É justo que muito custe o que muito vale”. Tatuei essa frase, de Santa Teresa D’Ávila, mais ou menos quando Beatrice tinha 9 meses, no braço direito, o meu braço mais forte. Mas foi lendo e relendo essas palavras, desde a gravidez, repetindo esse dito no escuro do quarto, no banho gelado da febre, nos engasgos, nos medos, em tudo, que eu fui percebendo que a força maior mesmo estava ali, nos meus braços, com nome, sobrenome e cabelinho cacheado; e do meu lado, naquele que é pai dela (e muito mais) junto comigo.


“É justo que muito custe o que muito vale”. Cada vez que me lembro disso, em cada contexto, a cada passo dessa jornada infinita, essas palavras se aprofundam em meu coração. Eu penso, de novo, que é justo que me custe muito criar um ser humano para agir bem nesse mundo maluco. Que é justo que me custe muito batalhar pela saúde dessa criança que me foi confiada. Que é justo que me custe muito fazer, repetir e refazer porque as crianças precisam de constância e é você o primeiro contato que elas têm com o mundo, é você o molde da primeira relação, uma janela para o tudo da vida que, bom, já está acontecendo, quer você se perca nas dores do medo, quer você absorva o caos como parte da (maravilhosa) imprevisibilidade da vida e lide com ele. Muitas vezes achamos que o próximo segundo nem ia chegar. No entanto estamos aqui: eu escrevendo essas palavras, você, lendo-as. Somos muito mais fortes do que imaginamos. E é justo que custe muito. Porque vale um tanto que nem tem como mensurar.

Jay Weber - @jayweberbook

Tags: #maternidade #maternidadereal #maedeprimeiraviagem
 Letícia Duarte Letícia Duarte
Mãe, (res)pira!

Já viveu uma experiência louca, desafiadora, estressante e ao mesmo tempo linda e recompensadora?! Eu vivo uma todos os dias e a chamo de MATERNIDADE. Meu nome é Letícia Duarte. Sou jornalista, influenciadora digital e mãe da Helena, de 9 meses. Uma das coisas de que mais gosto de fazer é me conectar com outras mães, e quando eu paro pra pensar no que eu quero acrescentar pra elas - que tanto precisam de companheiras de jornada - eu respiro fundo: o assunto é longo (e mãe que é mãe dá umas dez suspiradas dessas por dia, que é pra não pirar). Nesta coluna você vai encontrar relatos, vivências e reflexões de uma mãe de primeira viagem cheia de medos, inseguranças e cansaço - mas, acima de tudo, de amor!

Leia também: Sim, Sobrevivemos!